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Você não é "lesado" você pode ter TDAH

  • Foto do escritor: Dialogo Singular
    Dialogo Singular
  • há 11 minutos
  • 4 min de leitura

Vamos ter uma conversa muito séria, mas também carregada de esperança. Você já passou a vida ouvindo, ou pior, dizendo a si mesmo que é "lento", "lesado", "avoado" ou "preguiçoso"? Já sentiu aquela frustração amarga de saber que possui um potencial enorme, mas parece haver um abismo intransponível entre o que deseja fazer e o que realmente entrega? Como psicólogo com formação em Logoterapia e pós-graduação em TDAH, recebo diariamente pessoas que chegam com a alma ferida por esses rótulos. O que tenho para te dizer hoje é libertador: você não é "lesado". Você possui um funcionamento neurobiológico diferente, e entender isso é o primeiro passo para resgatar o sentido da sua vida. Acredite em mim, falo por experiência própria.


O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) não é uma invenção moderna ou uma desculpa para a falta de esforço. É uma condição neurobiológica real que afeta as funções executivas do cérebro, o nosso "maestro" interno. Imagine que seu cérebro é uma orquestra com músicos brilhantes, mas o maestro está cansado ou distraído. A música sai confusa, não por falta de talento dos músicos, mas por uma falha na coordenação rítmica.


Um dos maiores sofrimentos de quem convive com o TDAH sem diagnóstico é o sentimento crônico de insuficiência. Quando você tenta se encaixar em um molde que não foi feito para você e falha repetidamente, a sensação é de que a vida não tem propósito ou de que você é um "erro". No entanto, Viktor Frankl, pai da Logoterapia, dizia que "o homem não é apenas um produto de seus condicionamentos". Ter TDAH é uma limitação biológica, mas a forma como você escolhe lidar com ela é um ato de liberdade. Rótulos depreciativos são prisões mentais que te impedem de exercer sua responsabilidade, que, na raiz da palavra, significa a sua "habilidade de responder" aos apelos da vida.


Estatísticas atuais mostram que o TDAH afeta cerca de 5% a 8% das crianças e até 4% dos adultos no mundo. O grande problema é que muitos adultos passam a vida sem saber disso, acumulando "comorbidades" como ansiedade e depressão, causadas justamente pelo peso de não se entenderem. Quando você descobre que seu cérebro funciona em uma frequência diferente, você para de tentar ser um rádio AM sintonizado em FM. Você começa a buscar as estratégias certas. Como está a sua autopercepção hoje? Você tem se punido por não ser como os outros ou tem buscado entender o seu próprio funcionamento?


Na clínica, observo que o TDAH muitas vezes mascara talentos extraordinários. Muitas mentes brilhantes da história exibiam traços claros do transtorno. Eles não venceram "apesar" dele, mas encontraram sentidos tão fortes em suas paixões que aprenderam a canalizar sua hiperfocagem. Não se trata de buscar uma cura, e aqui vale o alerta: TDAH não é doença, é um modo de ser. O segredo está na compreensão e a descoberta de um propósito. Se você entende o "para quê" do seu esforço, a desorganização torna-se algo a ser compreendido e manejado, não uma parede que te impede de viver.


Para deixar de se sentir "lesado", o primeiro passo essencial é o diagnóstico realizado por profissionais sérios e habilitados. Existem conduções terapêuticas que funcionam e nos auxiliam a desenvolver uma vida produtiva com redução significativa do sofrimento. Somado a isso, precisamos de um reajuste interno diante das dificuldades. É o que chamamos de autodistanciamento: a capacidade de se observar e dizer: "Isso não sou eu, é o meu TDAH operando". Ao perder as chaves ou esquecer um compromisso, em vez de se chicotear, você pode observar o fato de forma técnica: "Minha memória de trabalho falhou aqui. Preciso de um lembrete visual ou de uma rotina mais rígida?". Ser seu amigo é entender suas limitações para poder transcendê-las.


Viver com TDAH exige o que Frankl chamava de "otimismo trágico": a capacidade de dizer sim à vida apesar das falhas de atenção e da impulsividade. É entender que sua dignidade não depende da sua produtividade; você tem um valor intrínseco que independe de quantas tarefas riscou da lista hoje. Mas atenção: o TDAH costuma desenvolver hiperfocos em atividades que geram prazer imediato, pois nelas ocorre a compensação neurológica necessária. Esse é um ponto de cuidado, pois pode abrir margem para comportamentos aditivos, como o uso de substâncias, jogos, pornografia ou o vício em trabalho (workaholic). O sentido da vida deve ser o seu guia para não cair nessas armadilhas de alívio rápido.


Se você se identificou com este relato, procure ajuda. O diagnóstico correto e o tratamento, que envolve terapia, ajustes no estilo de vida e, às vezes, medicação, são ferramentas para que você recupere o leme do seu barco. Não aceite adjetivos que diminuem a sua humanidade. Você é uma pessoa em busca de sentido, com desafios específicos, mas com uma capacidade infinita de superação. A vida não espera que você seja perfeito; ela espera que você seja autêntico e que cumpra a tarefa que só você pode realizar.


Lieber Faiad, psicólogo com formação em Logoterapia (Terapia do Sentido da Vida), pós-graduado em Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade pela CBI of Miami.

 
 
 

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