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Música “Mais uma vez” de Renato Russo e o Sentido da Vida

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    Dialogo Singular
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

Vamos dialogar entre a música e a psicologia. Imagine que estamos conversando enquanto toca ao fundo uma melodia familiar. “Mas é claro que o sol vai voltar amanhã”, canta Renato Russo. Essa frase simples carrega uma força existencial que dialoga diretamente com Viktor Frankl: a vida nunca deixa de ter sentido, mesmo quando atravessamos noites escuras.


Frankl cita frequentemente uma famosa frase de Friedrich Nietzsche, que o ser humano pode suportar quase qualquer sofrimento se tiver um “porquê” para viver. O sol que retorna é metáfora para esse sentido que insiste em se revelar. A música nos lembra que esperança não é espera passiva, mas postura ativa diante da vida.


No Brasil, estudos recentes mostram que somos um dos países com maiores índices de ansiedade. Vivemos em uma era de excesso de meios e carência de fins. Temos tecnologia, conforto e conexão, mas muitas vezes nos falta o “para quê”. É nesse ponto que a canção se torna um convite: acreditar não é sobre alcançar somente o sucesso material, mas sobre persistir na busca por significado. “Quem acredita sempre alcança” pode ser lido não como chegada a um pódio, mas como conquista de uma postura interior firme.


Frankl falava dos valores que geram sentido: criativos, vivenciais e de atitude. Quando a vida nos tira a capacidade de criar ou de vivenciar prazeres, ainda nos resta o valor de atitude. É o “mais uma vez” do título: levantar-se não porque a dor passou, mas porque o propósito é maior que a dor. Pesquisas sobre resiliência confirmam que pessoas com propósito claro apresentam maior longevidade e menos estresse. Ter um “porquê” nos permite suportar quase qualquer “como”.


A música também nos fala de confiança: “se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo”. Esse confiar em si não é narcisismo, mas reconhecimento da nossa liberdade interior. Frankl chamava isso de liberdade espiritual: ninguém pode tirar de nós a escolha de como enfrentar o que a vida nos impõe.


E há ainda o tempo para a realização. “Quem acredita sempre alcança”, canta Renato. Em uma sociedade marcada pelo imediatismo e pelas comparações constantes, essa frase é quase um ato de resistência. A logoterapia nos lembra que cada biografia tem seu ritmo sagrado. O sentido não é uma corrida de cem metros, mas uma maratona de descobertas. Respeitar o próprio tempo é reconhecer que a vida não precisa seguir o cronograma imposto pelos outros.


Ao longo da canção, frases de encorajamento se misturam à realidade da dor. “Nunca desista”, ele repete. Esse imperativo não ignora o cansaço, mas pressupõe que ele existe. Frankl dizia que o sofrimento só é insuportável quando não tem sentido. Talvez o seu “mais uma vez” hoje seja apenas levantar da cama, ou perdoar alguém, ou iniciar um projeto engavetado. O que importa é o movimento.


O encerramento da música é pura luz: “perceba que o sol já vai nascer”. Essa imagem do amanhecer é a metáfora perfeita para a esperança trágica de Frankl. O sentido da vida não é algo que inventamos; é algo que descobrimos. Ele está lá, esperando para ser realizado em cada gesto cotidiano. O “sol” de Renato Russo é essa revelação constante de que a vida nos interroga a cada instante, e nossa resposta é a nossa própria existência.


Lieber Faiad, psicólogo com formação em Logoterapia (Terapia do Sentido da Vida), pós-graduado em Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade pela CBI of Miami.

 
 
 

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