Terapia Breve - O quê é isso?
- Dialogo Singular
- há 2 horas
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Você já teve a sensação de que a vida está lhe fazendo uma pergunta urgente, mas você se sente preso em um labirinto de pensamentos, tentando entender a arquitetura de cada parede antes de procurar a saída? Muitas vezes, quando pensamos em psicoterapia, imaginamos um processo de anos a fio, um mergulho profundo e quase interminável. Porém, nem toda terapia é assim. A Terapia Breve propõe algo diferente: em vez de tentarmos esvaziar o oceano da nossa história, focamos em aprender a navegar as ondas que estão batendo no seu barco hoje.
Viktor Frankl, o pai da Logoterapia, costumava dizer que "viver é ser interrogado pela vida". Para ele, a psicoterapia não deveria ser apenas uma autópsia psíquica, mas um auxílio para que o indivíduo pudesse dar uma resposta concreta aos apelos do mundo. A Terapia Breve, nesse contexto, funciona como uma lanterna em uma noite de nevoeiro. Em vez de tentarmos iluminar toda a floresta, focamos a luz exatamente no próximo passo. É um processo terapêutico com tempo e objetivos definidos, onde terapeuta e paciente trabalham juntos para resolver uma questão específica ou atravessar uma crise pontual. E eu lhe pergunto: se você pudesse escolher apenas uma área da sua vida para receber luz e clareza hoje, qual seria ela?
Muitas pessoas chegam ao consultório com receio de que a brevidade signifique superficialidade. É um equívoco comum. Imagine um alpinista que está com a corda presa em uma fresta da rocha; ele não precisa que contem a história de como aquela rocha se formou há milhões de anos, ele precisa de uma intervenção precisa para soltar a corda e continuar a escalada. Dados atuais do Conselho Federal de Psicologia e estudos sobre eficácia clínica mostram que abordagens focais são extremamente eficazes para quadros de ansiedade, luto e crises de transição, justamente por devolverem ao sujeito a sensação de capacidade de resposta. Na Logoterapia, entendemos que o ser humano possui o que chamamos de "autotranscedência" — a habilidade de olhar para fora de si e se dedicar a algo ou alguém. A Terapia Breve ativa esse recurso de forma rápida, ajudando você a redescobrir o seu "para quê".
Lembro-me de um caso em que um paciente me procurou devastado por uma demissão inesperada. Ele sentia que sua identidade havia sido apagada junto com seu crachá. Em um processo de terapia convencional, poderíamos passar meses explorando sua relação com a autoridade desde a infância. Na Terapia Breve, o nosso foco foi outro: qual é o sentido que você pode realizar agora, apesar dessa perda? Trabalhamos o que Frankl chamava de "valores de atitude". Se ele não podia mudar o fato da demissão, ele era livre para escolher como enfrentaria aquele deserto. Em poucas sessões, ele percebeu que o trabalho era apenas um meio, e que o seu propósito de ser um provedor e um mentor para outros poderia se manifestar de novas formas. O foco na solução e no sentido transformou o luto da perda em energia de criação.
Você já notou como o excesso de análise pode gerar uma paralisia? Às vezes, pensar demais sobre o "porquê" de um problema nos impede de agir sobre ele. A Terapia Breve nos convida ao que chamamos de "distanciação", que é a capacidade de dar um passo atrás e observar o problema sem ser engolido por ele. É como olhar para um quadro: se você encostar o nariz na tela, verá apenas borrões de tinta; se der dois passos para trás, verá a paisagem completa. Esse distanciamento permite que você se perceba em realidade, ou seja, muito maior do que qualquer sintoma ou dificuldade que esteja enfrentando. Você não é a sua ansiedade, você não é o seu TDAH; você é aquele que toma uma posição frente a essas condições.
Quando definimos um foco na terapia, estamos dizendo: "Eu assumo a responsabilidade sobre este aspecto da minha vida". Isso é profundamente empoderador. Em vez de ser uma vítima passiva da história, você se torna o autor do próximo capítulo. Como diria Frankl, que tal se você trocar a pergunta "por que isso aconteceu comigo?" por "o que eu posso fazer com o que aconteceu comigo?".
A vida muitas vezes nos exige atravessar pontes estreitas sobre abismos de incerteza. A Terapia Breve é o corrimão onde você se apoia para não perder o equilíbrio. Ela não carrega você no colo, mas garante que você tenha a firmeza necessária para chegar ao outro lado. E o mais bonito é que, ao resolver um ponto focal, muitas vezes percebemos um efeito cascata. Quando você descobre sentido em uma pequena tarefa ou supera um medo específico, essa força se espalha para as outras áreas da sua vida. O sentido é contagioso.
É claro que existem questões profundas que demandam um tempo maior de maturação, e o bom terapeuta sabe identificar quando o processo precisa se estender. No entanto, para a grande maioria das angústias do mundo moderno, o resgate da autonomia é a melhor medicina. A Logoterapia nos ensina que o espírito humano não adoece; o que adoece é a nossa capacidade de acessar os recursos desse espírito. A Terapia Breve remove os escombros que estão bloqueando a passagem para esse núcleo saudável que existe dentro de você.
Caminhar em direção ao sentido da vida é uma jornada contínua, uma descoberta que não termina com a última sessão de terapia. A proposta da Terapia Breve é justamente lhe dar as ferramentas para que você possa continuar essa caminhada sozinho, com a cabeça erguida e o olhar atento às oportunidades de realização de valores que surgem a cada esquina. Não precisamos de todas as respostas para começar a viver com propósito. Precisamos apenas da coragem de dar o primeiro passo com consciência.
Espero que este texto tenha sido como aquela luz da lanterna para você hoje. Que você possa olhar para os seus desafios não como becos sem saída, mas como convites para o crescimento. O tempo da terapia pode ser breve, mas o impacto de uma vida vivida com propósito é eterno. Você está pronto para olhar para a sua realidade e perguntar: "Qual é o próximo passo que faz sentido para mim agora?".
Lieber Faiad, psicólogo com formação em Logoterapia (Terapia do Sentido da Vida), pós-graduado em Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade pela CBI of Miami.




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