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SÉRIE: TDAH - O QUE EU FAÇO COM ISSO? O Laudo confirmou e agora?

  • Foto do escritor: Dialogo Singular
    Dialogo Singular
  • 16 de mar.
  • 3 min de leitura

Um olhar para pais que estão começando a entender o TDAH


Artigo 1 de 3 — O Laudo Não É o Fim da História


Existe um momento que muitos pais vivenciam de forma parecida, mesmo sem se conhecerem. É o momento em que recebem o laudo, leem o nome do transtorno, e algo dentro do peito afunda. Não é desespero, exatamente. É algo mais difuso, uma mistura de alívio por finalmente ter um nome para o que se vivia, e ao mesmo tempo um medo silencioso de que esse nome vá definir, de agora em diante, o que o filho pode ou não pode ser.


Esse medo é compreensível. Acredite, sei por experiência própria. Ele vem do amor. Mas ele precisa ser nomeado para que não governe as decisões que virão pela frente.


É por isso que quero falar não só como psicólogo, mas também como pai e também como uma pessoa com TDAH.


O TDAH, o Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, é uma condição neurobiológica. Isso significa que há uma base real, concreta, no funcionamento do cérebro que explica as dificuldades que a família vinha observando há meses ou anos. A região chamada córtex pré-frontal, responsável por planejar, organizar o tempo, inibir impulsos e sustentar o foco, se desenvolve de forma mais lenta em quem tem TDAH. É como se o timoneiro interno da criança ainda estivesse aprendendo a segurar o leme em mar agitado. O barco é bom. O vento é real. O timoneiro está em formação.



Isso explica a cena que se repete em tantas casas. A criança que esquece o material escolar logo após ser lembrada, que chega atrasada mesmo tendo saído na hora certa, que começa a tarefa e aparece fazendo outra coisa dois minutos depois. Não é falta de vontade. Não é teimosia. Não é uma escolha consciente de desafiar a autoridade dos pais. É a forma como esse cérebro ainda está aprendendo a se organizar no tempo e no espaço.


E aqui mora o primeiro e mais importante ponto que eu gostaria de deixar com você hoje: um diagnóstico descreve um funcionamento, não uma sentença. Ele nomeia uma forma diferente de o cérebro operar, não o limite de uma vida. Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente dos campos de concentração nazistas, fundador de uma abordagem chamada Logoterapia, dizia que o ser humano nunca é reduzido às suas condições biológicas ou psicológicas. Entre o que uma pessoa tem e o que ela faz com o que tem, existe sempre um espaço. Esse espaço é onde a liberdade vive. E esse espaço não desaparece com o TDAH. Ele continua lá, esperando ser habitado, pela criança, e também pelos pais.


Há uma crença que circula com muita frequência, e que eu ouço nas consultas com regularidade quase previsível: "isso é preguiça", "na minha época se resolvia com disciplina", "estão inventando doença para tudo". Eu entendo de onde vêm essas vozes. Porém elas fecham as portas da compreensão de uma realidade maior, que nada tem a ver com força de vontade. Tratar o TDAH como falha de caráter é como cobrar de uma pessoa com miopia que enxergue com nitidez sem óculos. A dificuldade é real. A diferença é que ela não está nos olhos, ela está na arquitetura de funções que o cérebro ainda está construindo.



Reconhecer isso não é tirar a responsabilidade do filho. É, ao contrário, o primeiro passo para ajudá-lo a assumir essa responsabilidade de forma justa, com as ferramentas certas e o suporte que ele precisa.


O laudo não encerra nada. Ele abre uma conversa. E as próximas páginas dessa história dependem, em grande parte, do que os pais decidem fazer com ele.


No próximo artigo desta série, vamos conversar sobre o que acontece dentro do cérebro com TDAH, e por que entender isso muda a forma como você vê, e como você reage, ao comportamento do seu filho.


Lieber Faiad, psicólogo com formação em Logoterapia (Terapia do Sentido da Vida), pós-graduado em Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade pela CBI of Miami.

 
 
 

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