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SÉRIE: TDAH - O QUE EU FAÇO COM ISSO? E o tratamento?

  • Foto do escritor: Dialogo Singular
    Dialogo Singular
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Um olhar para pais que estão começando a entender o TDAH


Artigo 3 de 3 — O Que Eu Posso Fazer?


Se você chegou até este terceiro artigo, já percorreu um bom caminho. Você entendeu que o diagnóstico não define o destino do seu filho. Entendeu como esse cérebro funciona, por que ele dispersa, por que ele hiperfoca, por que a relação com o tempo é tão diferente. Agora vem a pergunta que, no fundo, estava presente desde o começo: o que eu faço com tudo isso?


A resposta começa com uma distinção que precisa ser dita com clareza: o tratamento do TDAH não é uma coisa só. Ele é uma via de mão dupla. De um lado, o acompanhamento médico, que pode incluir ou não o uso de medicação. Do outro, o processo terapêutico. E entre os dois, o ambiente em casa, que é onde tudo se consolida ou se desfaz.



Sobre a medicação, existe um preconceito que encontro com muita frequência, e que merece ser tratado com respeito, porque ele vem do amor. Muitos pais temem que o remédio apague algo no filho, que transforme a criança viva e criativa em algo domesticado e distante. Essa preocupação é legítima. Mas ela parte de uma imagem equivocada do que o medicamento faz. Quando indicado corretamente por um médico e ajustado com cuidado, ele age como um regulador do volume interno. Ele não suprime a criança. Ele diminui o ruído para que ela consiga, finalmente, ouvir a própria voz com mais clareza, tomar decisões com mais calma, e sustentar a atenção por tempo suficiente para que o aprendizado aconteça. Ele não substitui a terapia. Ele cria as condições para que ela funcione melhor.



O processo terapêutico, por sua vez, é onde a criança aprende na prática o que nenhum remédio pode ensinar: estratégias de planejamento, controle inibitório, flexibilidade diante do inesperado, autorregulação emocional. É também onde ela começa a se relacionar com mais gentileza consigo mesma, a reduzir a culpa que se acumula cada vez que algo dá errado, a perceber que ela tem recursos, e que esses recursos podem ser desenvolvidos. TDAH não é uma doença. Assim, não existe cura no sentido de apagar o transtorno, mas existe uma melhora contínua, real, que se constrói com o tempo e transforma a relação da criança com ela mesma e com o mundo.


E então chegamos ao papel dos pais, que é o mais próximo, o mais cotidiano, e por isso mesmo o mais poderoso de todos. A terapia acontece uma vez por semana. A casa acontece todos os dias. E o que acontece em casa é onde o cérebro com TDAH vai colocar em prática, ou não, o que está aprendendo. Uma rotina consistente, um ambiente organizado, uma agenda visível na parede do quarto, não são detalhes de perfeccionismo. São âncoras. Elas ajudam o córtex pré-frontal em desenvolvimento a ter referências externas enquanto as internas ainda estão sendo construídas.


Isso não significa cobrar perfeição. Significa oferecer estrutura com afeto. Há uma diferença enorme entre dizer você de novo se esqueceu e dizer vamos revisar juntos o que você precisa para amanhã. A segunda frase ensina. A primeira apenas confirma uma narrativa que a criança já está, infelizmente, aprendendo a acreditar sobre si mesma.


Frankl dizia que o ser humano é capaz de tomar posição frente à sua condição. Isso vale para a criança com TDAH, mas vale também para os pais que a acompanham. Você não escolheu esse diagnóstico. Mas você pode escolher o que faz com ele. Pode escolher se informar, se instrumentalizar em vez de apenas reagir. Pode escolher buscar ajuda, em vez de esperar que passe. Pode escolher ver no seu filho não o transtorno que ele tem, mas a pessoa que ele é, com tudo o que o desafia e com tudo o que o distingue.



Essa escolha não resolve o TDAH. Mas ela muda o ambiente em que ele é vivido. E um ambiente que acolhe, que estrutura, que acredita, é o solo mais fértil que existe para que qualquer ser humano, com ou sem diagnóstico, possa florescer.


Seu filho não precisa ser "curado" para ter uma vida plena. Ele precisa ser visto, compreendido e acompanhado. E você, ao chegar até aqui, já está fazendo exatamente isso.


Lieber Faiad, psicólogo com formação em Logoterapia (Terapia do Sentido da Vida), pós-graduado em Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade pela CBI of Miami.

 
 
 

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"Fazer terapia é um ato de amor."

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